A digitalização no cinema brasileiro
Escrito por Gabriel De Lucca
Atualmente o cinema digital vem crescendo por conta da diminuição dos custos de produção, pós-produção, distribuição e menores dificuldades nas etapas de um filme se comparado ao sistema de película.
O cinema tem seu início no século XIX com os filmes dos irmãos Lumieres, que fizeram a primeira exibição pública e paga de 10 filmes num café de Paris com duração de 40 a 50 segundos cada. Os filmes até hoje mais conhecidos desta primeira sessão chamam-se: "A saída dos operários da Fábrica Lumière" e "A chegada do trem à Estação Ciotat ”, cujas gravações eram feitas através de rolos de filme chamados de pélicula.
Video do filme a chegada do trem à Estação Ciotat
A película é originária da fotografia que era também chamada de estoque película, sendo historicamente o preliminar meio para a gravação e indicação de retratos de movimento.
Segundo Sergio Elias, cineasta brasileiro, as películas tradicionais são compostas de uma série das imagens individuais chamadas frames. Quando estas imagens são mostradas rapidamente na sucessão, um visor tem a ilusão que o movimento está ocorrendo.
Vídeo como è feito as frames
De acordo com o manifesto das sete artes escrito em 1923 por Riccioto Canuto, o cinema é considerado a sétima arte porque une: música (som), dança (movimento), pintura (cor), escultura (volume), teatro (apresentação) e literatura (palavra).
Por este motivo o cinema conquistou cada vez mais adeptos e foi criada uma câmera analógica para amadores que quisessem fazer seus próprios filmes.
A primeira empresa do ramo de câmera analógica foi a Kodak em 1923, lançando um produto para que qualquer pessoa pudesse gravar momentos importantes da família como, por exemplo: aniversários, batizados, casamentos e viagens. O primeiro tipo de filme utilizado em película amadora era o 16 mm, que custava U$335.00, não sendo um hobby barato, mas com muita qualidade em sua imagem. Depois passou a ser utilizado também o filme 8 mm, conhecido e popularizado como “Super 8”.
Vídeo sobre o super 8
De acordo com o presidente da
Kodak no Brasil, Fernando Bautista,
os estudantes de artes e muitos dos cineastas
profissionais de hoje em dia criaram seus primeiros filmes em “Super 8”. Trinta
anos depois, este meio de pequeno padrão ainda é uma maneira fácil e barata
para estudantes e entusiásticos trabalharem em resolução cinematográfica e
profundidade de cor que ainda hoje não foram superados pelas últimas
tecnologias em vídeo. Não surpreendentemente, a magia do “Super 8” achou até um
caminho nos melhores vídeos-clips e comerciais atuais.
Os cineastas profissionais mesmo com a nova tecnologia digital ainda preferem gravar em película por conta da imagem que é conseguida através da câmera analógica,mas infelizmente foi anunciado que a Kodak encerara as atividades este ano.
Os cineastas profissionais mesmo com a nova tecnologia digital ainda preferem gravar em película por conta da imagem que é conseguida através da câmera analógica,mas infelizmente foi anunciado que a Kodak encerara as atividades este ano.
No início do cinema, os filmes eram produzidos
através de películas e com o advento das novas tecnologias houve uma mudança
para o cinema digital, mas isso não quer dizer que as obras em película sejam
inferiores. O que realmente importa é a qualidade da história que foi produzida,
independentemente da técnica utilizada, a tecnologia só vem auxiliar para o
trabalho ficar cada vez melhor.
Segundo Marcela Fazzio, especialista em
cinema da distribuidora “Rain Network”, as principais diferenças entre produtos
produzidos por película e por digital são a locação
da câmera, tamanho da equipe, finalização, diferença
da imagem, áudio e facilidade na distribuição.
O
projeto de um cineasta começa na escolha de uma equipe, na locação de uma
câmera e nas escolhas de elenco e cenário. Para que não saia muito caro deve-se
pensar em trabalhar no conceito de cinema digital, no qual a locação do
equipamento é mais acessível.
Para fazer a locação de uma câmera analógica, deve-se pensar nos altos custos diários e considerar que em alguns dias podem ocorrer imprevistos como chuva e outros problemas que atrapalhem a gravação.
Para fazer a locação de uma câmera analógica, deve-se pensar nos altos custos diários e considerar que em alguns dias podem ocorrer imprevistos como chuva e outros problemas que atrapalhem a gravação.
Com as facilidades de uma câmera digital, é
possível contratar uma equipe menor, mas buscando o que há de melhor entre os
profissionais da área, de acordo com a idéia que o diretor tem para seu filme.
O cinema digital tem muitas
facilidades se for comparado à película, além do menor custo, já mencionado.
Não é necessário o mesmo cuidado no transporte e no armazenamento, pois
dificilmente o áudio é danificado, com o uso das câmeras digitais a pós-produção
fica mais facilitada, por que se houver problemas de gravação, pode-se regravar,
mas se for em película não há esta possibilidade, já que suas gravações são
feitas através rolos de cinema e suas tiras são coladas uma a uma para a edição
e finalização do filme.
A
pós-produção do cinema digital ficou mais facilitada com o advento do higth-resolution vídeo digital, nos anos
de 1990. Os custos de produção foram baixados significativamente, tornando-se
mais acessíveis a cineastas iniciantes, atualmente é possível instalar
programas no computador pessoal de várias tecnologias para a produção de um
filme, como DVD, conexões e sistemas de edição, software do Premier Adobe Pro, Sony Vegas e Apple para edição.
Na película, os procedimentos de
pré-produção e pós-produção são mais artesanais e seus altos custos dificultam
o acesso de pessoas com o desejo de se tornarem cineastas, etapas como a distribuição
e o marketing necessário para que o filme seja recebido na mídia requerem muito
investimento. Por outro lado, com a tecnologia digital, o cinema independente consegue
se expandir cada vez mais por conta da democratização dos meios tecnológicos é
possível lançar um filme caseiro na mídia facilmente.
A
distribuição dos filmes em películas é muito mais cara e complicada do que a
distribuição digital. Segundo Marcela Fazzio, um filme
lançado em película tem a sua qualidade comprometida através do uso e manuseio
das cópias. Após uma semana em cartaz, a cópia apresenta riscos e sujeiras e
quando é transportado para outra sala de cinema o filme perde frames em função da montagem e
re-montagem dos rolos. A qualidade do filme digital é a mesma do início ao fim.
Existem muitas dificuldades para aqueles que se utilizam do cinema
produzido em película. Além do que já foi citado, menor audiência eles terão
por conta da dificuldade de levar estes filmes para fora das grandes capitais, perdendo
muito do dinheiro usado para a produção e mesmo que o filme tenha muita
qualidade, acaba não tendo o reconhecimento necessário.
Em geral, os filmes em película são lançados com um número reduzido de cópias
físicas tendo sua distribuição limitada, sendo assim, os pequenos exibidores e
os localizados fora do eixo Rio- São Paulo ficam muito prejudicados, recebem o
filme quando o mesmo já se encontra nas locadoras, bancas piratas ou
disponíveis para downloads na internet.
Mas
apesar disso este ano foi criado pelo diretor Frances Michel Hazanavicius o
filme O Artista ,que se passa na década de 20 e conta a història de um ator de cinema mudo George Valentin (Jean Dujardin )
,que se vê ameaçado pelo começo do cinema falado .
Este filme foi feito em preto e branco e è mudo ,uma homenagem ao inicio do cinema ,por conta disso no Oscar 2012 ,ganhou os prêmios de Trilha Sonora,Ator,Diretor e Filme .O Artista marca de vez o fim do cinema analógico e começo oficialmente do Cinema Digital e 3D .
Este filme foi feito em preto e branco e è mudo ,uma homenagem ao inicio do cinema ,por conta disso no Oscar 2012 ,ganhou os prêmios de Trilha Sonora,Ator,Diretor e Filme .O Artista marca de vez o fim do cinema analógico e começo oficialmente do Cinema Digital e 3D .
Trailer do filme O Artista
Como
já foi citado existem os filmes ruins e bons, independentemente da tecnologia
utilizada, analógica (película) ou digital. Mas aqueles que são bons filmes
feitos de película, cedo ou tarde, precisam ser restaurados por conta dos
problemas de manuseio que acabam prejudicando o áudio. Por conta destas
dificuldades esses estão sendo copiados digitalmente para os DVDs, para que não
sejam perdidos com o tempo.
Segundo
o professor de cinema da USP Renato Bulcão, os métodos digitais foram
utilizados também para restaurar películas. A preservação da película é uma
matéria de interesse dos historiadores, dos arquivistas de película e às
companhias interessadas em preservar seus produtos existentes a fim fazê-los
disponíveis às gerações futuras
Todas as pessoas que comentaram a respeito do cinema de película afirmaram
que sua principal vantagem com relação ao digital, é o fato da sua imagem ser muito superior, podendo captar as
emoções humanas de uma forma bastante real. Com a criação em 2008 feita pela
Sony e pela Panavision da câmera 24 P Digital HD, obteve-se uma qualidade de
imagem semelhante em substituição as câmeras de 35 milímetros, geral e
convencionalmente usadas para gravar os filmes produzidos para o cinema, acabando
com a dinastia da câmera analógica para profissionais. Com o intuito de
melhorar o cinema, o cineasta George Lucas, foi o incentivador para que a Sony
criasse esta câmera, prometendo que um episodio da saga Guerra nas Estrelas
seria utilizado como tática para a promoção da mesma.
Acredita-se que será criado um paradoxo incrível: os filmes sem os
rolos de filmes, por conta da provável extinção dos filmes de 8 e 35milimetros.
Com a consolidação do cinema digital, cada vez mais se conhece os
seus benefícios, de acordo com o Presidente da Sony da América, Edward Grebow, o principal deles é a facilidade de exibição sendo
que um dos exemplos mais claro foi dado pelo produtor e ator do filme “Bounce”, Bem Affleck, que fez recentemente um teste, nos EUA,
enviando seu filme para exibição via satélite.
O filme digital permite a conversão para qualquer outro formato
(seja película, vídeo - tape, ou mesmo plug-ins como o Real Player) de maneira
muito mais prática que aquilo que é normalmente feito entre películas ou delas
para quaisquer outras mídias.
Além disso, terá a mesma alta qualidade em
qualquer um desses suportes. No vídeo digital não vai mais importar se a pessoa
vai gravar um longa para Hollywood ou o casamento da filha, a qualidade da
imagem vai ser sempre muito boa.
Como o filme digital pode ser comprimido, muitas pessoas criam
principalmente curtas-metragens, colocam-nos na internet para que seus vídeos
sejam vistos e com isso podem até conseguir se inscrever em festivais de filmes
independentes, buscando quem sabe participar de algum projeto de algum cineasta
experiente.
Existem vários sites para vídeos, sendo curta-metragem ou ate mesmo longa, a internet propicia que os filmes independentes estrangeiros e brasileiros sejam conhecidos pelo mundo todo.
Existem vários sites para vídeos, sendo curta-metragem ou ate mesmo longa, a internet propicia que os filmes independentes estrangeiros e brasileiros sejam conhecidos pelo mundo todo.
De acordo com o cineasta Carlos Reichenbach, acessar filmes pela rede e assisti-los na tela de seu computador
já é algo real. Exemplos disso são as cada vez mais numerosas distribuidoras de
curtas pela Internet, como a AtomFilms e a IFilm, que disponibilizam aos seus
visitantes o download de centenas de
curtas, a maioria de qualidade indiscutível, e boa parte disponível unicamente através
da rede.
O site “estadao.com.br” também abriu sua galeria de curtas-metragens, ainda que os filmes disponíveis tenham sido digitalizados a partir de películas. A tendência é que os curtas feitos também em suporte digital ocupem cada vez mais esse nicho.
O site “estadao.com.br” também abriu sua galeria de curtas-metragens, ainda que os filmes disponíveis tenham sido digitalizados a partir de películas. A tendência é que os curtas feitos também em suporte digital ocupem cada vez mais esse nicho.
O cinema digital, como já é sabido tem muitas vantagens, uma delas é que o próprio diretor do filme pode filmar com sua câmera. Por não ser muito pesada, não se tem a necessidade de uma equipe muito grande, assim pode-se assistir exatamente aquilo que o autor queria passar através de seus personagens. Outro fator importante é o custo da produção já que com o uso digital, os processos que são usados em película não serão mais necessários, gerando uma boa economia.
Neste texto já se foi mencionada a distribuição dos filmes
pela internet, mas para aqueles que querem que seu filme seja visto apenas nos cinemas,
o cineasta Renato Bulcão afirma que os filmes, criptografados para evitar
pirataria, poderiam ser decifrados e abertos somente pelos exibidores, que
receberiam o sinal num horário previamente combinado com a distribuidora.
"O satélite vai ficar, pois ainda é a maneira mais barata de transmitir dados
em alta velocidade além das fronteiras, diversas alternativas quanto à
programação podem surgir desde uma grade padrão estabelecida pelo distribuidor,
até a gravação em HD do filme transmitido por satélite, que dá mais
independência ao dono da sala para eterminar os horários que melhor lhe convêm”.
Um dos motivos para que a produção digital no Brasil seja
ineficiente é explicado pelo Renato. Segundo ele, essa conversão é a maior
entre todas as discussões, pois o equipamento digital é muito mais caro que os
projetores mecânicos convencionais, aumentando a aversão dos donos de sala de
cinema a tal tecnologia.
Os aparelhos desenvolvidos pelas empresas Barco
Instruments, Sony Electronics e Texas Instruments custam em média US$ 120 mil,
sendo que seus primos analógicos podem custar até cinco vezes menos.
Para se
ter uma idéia, a câmera digital para substituição das câmeras 35 mm chegou ao
mercado do Brasil, especialmente em São Paulo apenas em 2009, por conta da
procura ineficiente, por termos em nosso país poucos filmes em cinema digital.
Será
um processo longo de adaptação, para que se consiga que o Brasil tenha salas para
cinema digital, será necessário um grande investimento na cultura do país,
possibilitando que os cineastas substituam a produção dos filmes em película
por filmes digitais.
Mesmo com a produção digital no Brasil não sendo tão difundida, já
se observam algumas tentativas de substituição à analógica. Em 2009 o cineasta Sérgio
Daniel Lerrer foi o primeiro diretor brasileiro a realizar um longa-metragem de
ficção inteiramente digital, o filme se chama “De Cara Limpa” e por conta de
poucos filmes em digital o cineasta Carlos Reichenbach está fazendo a primeira
oficina dedicada à produção de um filme totalmente digital, Empédocle, o Deus
das Sandálias de Bronze
Nos Estados Unidos o cinema digital vem cada vez mais ganhando espaço,
melhorando os seus equipamentos de efeitos especiais possibilitando um novo
tipo de cinema, chamado de 3D, que através do uso de óculos especiais, pode-se
sentir dentro da história junto com os personagens. O primeiros filmes criados
para 3D foram os filmes “Toy Story 3”, “Avatar” ,“Alice no país das Maravilhas”,As
aventuras de Tintin è o mais recente filme A Invenção de Hugo Canbret ,sendo que sem um
equipamento digital de qualidade esses filme não conseguiriam o resultado
esperado.
Trailer do filme
A Invenção de Hugo Canbret
Por esse motivo, o Brasil pretende até o final de 2010, construir
110 salas de projeções digitais com o custo de 500 mil reais por sala, mas, enquanto
isso não se concretiza, para não perder os filmes em 3D em lançamento, o Renato
Bulcão aponta para uma opção mais barata, que é a adaptação de um sistema
computadorizado aos projetores já existentes, anexando às antigas máquinas um
HD, um monitor para controle externo e uma telinha transparente LCD, que
ficaria na frente da luz do projetor no lugar da película - semelhante a um
sistema de Datashow. Restariam, assim, poucas (e plenamente possíveis)
inovações para que o sistema se tornasse totalmente adaptável ao que hoje
existe nas milhares de salas do mundo.
O cinema brasileiro em 3D quase não existe ,porque apenas um filme
foi feito è se chama Brasil Animado da diretora Mariana Caltabiano.
Trailer do filme
Brasil Animado
já que o país ainda está em
fase de adaptação com as tecnologias digitais, mas já são encontradas algumas
propagandas feitas para o cinema com essa tecnologia. Segundo
Rodrigo Olaio, sócio-diretor da 3D Mono, empresa que produziu a primeira peça
publicitária em três dimensões do Brasil, apesar do custo um pouco mais alto, o impacto
sobre o espectador é muito maior.
Temos
muito o que melhorar, mas com determinação podemos conseguir a tecnologia
necessária para um bom desenvolvimento do cinema digital brasileiro, porque diretores,
atores, câmeras, montadores e fotógrafos brasileiros são de grande qualidade, sendo frequentemente convidados para Trabalhar no cinema americano.
Devemos entender que o mais importante não é o meio utilizado para fazer o filme, independentemente
de ser digital, película ou 3D, o que tem que ser levado em conta é a qualidade
da história contada. Muitos dos melhores cineastas como Pasolini, Antonioni,
Bergman, Hithcock e Glauber Rocha não chegaram a gravar em cinema digital, mas
ainda hoje são cultuados e respeitados pelos grandes filmes que produziram, mas
é sempre importante acompanhar as mudanças tecnológicas do nosso tempo para se
conseguir resultados cada vez melhores.

